
BLAST Open Porto: o Norte no centro do Counter-Strike mundial
A BLAST Open Porto chegou ao fim com a Spirit a levantar o troféu.
No entanto, reduzir o evento ao resultado competitivo seria deixar de fora uma das suas maiores conquistas: durante vários dias, o Porto foi o ponto de encontro da comunidade de Counter-Strike.
Dentro da Super Bock Arena, o ambiente foi frenético. Fora da arena, as zonas de convívio eram uma extensão do espetáculo. Profissionais, jogadores amadores, treinadores, streamers e fãs encontravam-se no mesmo espaço, muitas vezes sem a distância que normalmente existe entre quem está dentro do servidor e quem acompanha tudo do outro lado do ecrã. Havia conversas, encontros e muita gente a partilhar a mesma paixão pelo jogo.
Um torneio de topo
A BLAST Premier Open Porto reuniu 16 das melhores equipas do mundo e colocou em jogo um prize pool de 1,1 milhões de dólares. A competição foi dividida em três fases, com a fase final a decorrer na Super Bock Arena entre 4 e 6 de setembro.
Depois de uma fase inicial disputada em formato de grupos, as melhores equipas seguiram para os playoffs. Foi aí que o torneio ganhou outra dimensão, com os jogos a serem disputados perante um público que tornou cada ronda ainda mais especial.
No fim, Spirit e MOUZ encontraram-se na grande final. A equipa russa venceu por 3-1 e confirmou mais um título numa temporada em que continua a afirmar-se como uma das grandes forças do Counter-Strike mundial. O triunfo teve ainda um sabor especial para donk e companhia: MOUZ tinha sido responsável pela derrota da Spirit na final da BLAST Bounty, pouco mais de um mês antes.
Uma final diferente da esperada
A competição também trouxe algumas surpresas. Tanto eu como muitos fãs esperávamos encontrar a Spirit na final. O adversário, contudo, poderia ter sido diferente.
FURIA ou Vitality eram dois dos nomes que muitos gostariam de ver no último dia. Havia razões para isso. Uma final entre Spirit e FURIA poderia os fãs ainda mais frenéticos, visto que o tempo dele está a chegar ao fim. Já uma decisão contra a Vitality ofereceria o tão aguardado duelo entre donk e ZywOo.
Nenhum dos dois cenários aconteceu.
Ainda assim, quando chegou a hora da decisão, o ambiente não baixou de intensidade.
A Spirit venceu a MOUZ por 3-1 e conquistou o título. O resultado fechou a competição, mas não apagou aquilo que se tinha vivido nos dias anteriores.
O Porto respondeu
Esta BLAST teve também um significado especial para Portugal.
Foi a primeira vez que um evento internacional desta dimensão chegou ao Norte. Durante anos, os grandes eventos de esports realizados no país estiveram sobretudo associados a Lisboa. O Porto mostrou agora que existe outro público pronto para receber este tipo de competições.
E respondeu à altura.
A arena esteve cheia de energia. As zonas de convívio mantiveram a mesma dinâmica. Para quem esteve presente, era difícil não reparar na quantidade de pessoas que normalmente acompanham o Counter-Strike à distância e que, desta vez, estavam ali.
É precisamente por isso que estes eventos são importantes.
Não servem apenas para trazer as melhores equipas do mundo a Portugal. Permitem que a comunidade se encontre. Criam memórias que não acontecem através de um monitor. Aproximam quem joga, quem compete e quem simplesmente gosta de assistir.
Mais do que um troféu
A Spirit saiu do Porto com o título. A MOUZ ficou com o segundo lugar. Os jogadores regressaram a casa e a competição terminou.
Mas fica algo mais.
Portugal precisa destes eventos. O Norte também!
A BLAST Open Porto mostrou isso dentro e fora da arena.
No fim, houve um campeão. Mas, durante aqueles dias, o Counter-Strike ganhou uma coisa ainda maior: uma comunidade inteira em comunhão, a celebrar o jogo que todos partilham.