
JTR: “O objetivo final é chegar a um Major e conseguir jogar LANs de Tier 1 de forma consistente”
Em entrevista ao Guitcho Hub, o treinador Ricardo "JTR" Júnior fala sobre o percurso que o levou ao coaching profissional, a decisão de sair da Nigma Galaxy e os objetivos para o novo projeto.
Aos 23 anos, JTR já conquistou quatro ESL Impact, esteve presente em quatro Majors e trabalhou em três continentes. Depois de passagens pela Nigma Galaxy e pelos FlyQuest, assume agora novamente o cargo de head coach, desta vez ao serviço da FOKUS.
O teu percurso começou bastante cedo. Em que momento percebeste que o coaching podia tornar-se uma carreira a sério?
JTR: "Comecei muito cedo. Entrei na FTW Evolution quando tinha acabado de fazer 16/17 anos, numa altura em que ainda era muito novo e não tinha noção de onde isto me podia levar.
Depois, tive a oportunidade de integrar uma equipa russa com o core de Ekaterinburg, onde estavam o Eksiver e o Sfade. Foi uma experiência importante, porque comecei a ter contacto com uma realidade diferente e com uma cultura de CS muito forte.
Mais tarde, passei pelos Rhyno e pelos Darkside Quest, antes de surgir a oportunidade de trabalhar com a Galaxy Racer Female. Com a fusão entre a Team Nigma e a Galaxy Racer, o projeto passou a Nigma Galaxy. Foi principalmente a partir daí que comecei a perceber que isto podia realmente transformar-se numa carreira a sério.
Uma das coisas que diferencia o meu percurso é o facto de não ter tido propriamente uma carreira como jogador antes de começar a treinar. Tive de construir o meu conhecimento de outra forma: treinar muito, fazer grind de CS, estudar o jogo por minha conta e procurar constantemente aprender com outras pessoas."
Sair da Nigma Galaxy, depois de conquistar quatro ESL Impact, foi uma decisão arriscada?
JTR: "A decisão que, olhando de fora, pode ter parecido mais arriscada foi sair da Nigma Galaxy depois de ganhar quatro ESL Impact e de ter um salário bastante confortável, para aceitar um projeto no Brasil que, na altura, não estava entre as equipas mais bem posicionadas nos rankings.
Foi, no entanto, uma decisão bastante consciente. Sentia que, dentro do cenário Impact, o meu conhecimento e a minha evolução como treinador estavam a estagnar. Era complicado ter acesso regularmente às melhores praccs, receber convites para torneios mistos realmente competitivos e estar constantemente exposto ao nível de CS que procurava.
Troquei algo que era certo por um projeto sem garantias, mas que me podia proporcionar competição, novas experiências e evolução.
Hoje, considero que foi uma das decisões mais importantes da minha carreira, precisamente porque me obrigou a continuar a aprender."
Quando saíste dos FlyQuest, esperavas ficar algum tempo sem projeto?
JTR: "Nunca senti que fosse complicado continuar a trabalhar no meu sonho. Simplesmente, não achei que fosse encontrar uma nova oportunidade tão cedo.
Quando saí dos FlyQuest, a season já tinha começado há praticamente um mês. Por isso, estava mentalizado de que os contactos mais concretos poderiam surgir apenas perto do final do ano.
Entretanto, fui falando com algumas equipas, embora nada estivesse fechado. Quando surgiu a oportunidade da FOKUS, tive de tomar uma decisão rapidamente, porque era um projeto que fazia bastante sentido para mim naquele momento.
Sentia que, mais cedo ou mais tarde, iria surgir uma oportunidade, o que não esperava era que aparecesse tão rapidamente!"
O que significa para ti voltar a ser head coach a tempo inteiro?
JTR: "Era uma oportunidade que sempre quis ter. Ser head coach a tempo inteiro significa assumir muito mais responsabilidade, porque és tu que recebes tanto o mérito pelas coisas boas como a responsabilidade quando as coisas correm menos bem.
Ao mesmo tempo, dá-me muito mais controlo sobre a equipa, a preparação e muitas das decisões tomadas no dia a dia. É um desafio que sempre procurei e sinto que é onde consigo ter mais impacto."
Quais são os objetivos para a FOKUS?
JTR: Neste momento, temos de ter uma visão de longo prazo, porque a equipa é muito nova e os jogadores ainda estão numa fase de desenvolvimento. O meu principal foco é desenvolver cada jogador, garantir que se sente confortável dentro das suas funções e que domina as suas posições e responsabilidades.
Um bom exemplo para nós são os FUT, que também começaram com jogadores bastante jovens e com muito skill e conseguiram subir bastante nos rankings. É esse tipo de evolução que gostava de conseguir com a FOKUS.
O objetivo final é chegar a um Major e conseguir jogar LANs de Tier 1 de forma consistente. No entanto, temos de construir o projeto passo a passo. Nesta fase, o foco deve estar nas LANs e torneios de Tier 2, aproveitando ao máximo todos os Open Qualifiers.
Quero que a equipa cresça de forma sustentável e que, quando tivermos condições para dar o próximo passo, estejamos preparados para competir nesse nível. O objetivo a curto prazo passa por alcançar o TOP 30 no VRS!"